Era dia 20 de agosto de 2014, e uma partida de CS:GO ficaria marcada para a história por ser a primeira, com registro, a apresentar um escândalo em meio ao jogo. iBuyPower e NetCodeGuides se enfrentavam por uma partida da temporada de número cinco da liga CEVO daquele ano, os favoritos e considerados super talentos do cenário norte-americano simplesmente caíram diante de uma equipe até então pouco conhecida. Mesmo com a estranheza de uma derrota arrebatadora da iBuypower, tudo se seguiu normalmente às caras, porém por trás das cenas uma grande investigação se dava entre Valve, CEVO, CSGO Lounge e outras figuras da cena.

Quase quatro meses após a partida, no dia 16 de janeiro de 2015, o jornalista Richard Lewis jogou as evidências na mesa, após publicar um artigo no DailyDot em que comprovava com imagens o escândalo que se deu, segundo ele mais de $10.000,00 foram “conquistados” pelos envolvidos.
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No dia 26 daquele mês, a Valve deu seu veredicto chocando a comunidade internacional, e expondo os jogadores ao pior momento de suas carreiras. A desenvolvedora publicou em seu blog oficial um texto com o título “Integrity and Fair Play” onde bania por tempo indeterminado quatro dos cinco atletas da iBuyPower, além dos empresários que orquestraram o projeto.

Os Banidos:

Duc "cud" Pham
Derek "dboorN" Boorn
Casey "caseyfoster" Foster
Sam "DaZeD" Marine
Braxton "swag" Pierce
Keven "AZK" Larivière
Joshua "steel" Nissan

O Legado

A Valve arriscou tudo para que o jogo se fizesse limpo novamente, pondo em risco patrocínios, audiência, grandes eventos e o desejo de se profissionalizar. Mas qual é o legado que a decisão deixou?

Por emitir em nota que os atletas estavam limitados por tempo “indeterminado” uma dúvida surgiu sob eles, mudar a carreira ou esperar? O próprio Richard Lewis no fim do ano de 2015 criticou a empresa, por não dar uma decisão realmente definitiva sobre o caso, pondo os jogadores em estado de dúvida com suas vidas. No início de 2016, a desenvolvedora então resolveu se pronunciar de maneira singela e dura, dizendo que os banimentos eram então para sempre.

Mas será que a decisão da Valve deixou a certeza nos jogadores de que se vender durante uma partida era mesmo um forte indicio de uma acusação e posteriormente um fim à suas carreiras? Não por momento. Após o maior escândalo de apostas da história, alguns outros momentos parecidos apareceram nesses dois anos daquela fatídica partida. Como os franceses (Epsilon) e outros vários jogadores poloneses em fevereiro de 2015, ou mesmo com a irrisória inchk1ng de Hong Kong que também se envolveu nesse ato promiscuo em meio ao cenário que vem crescendo gradativamente no ideal da profissionalização.

Mas qual é a resposta desses envolvimentos? Com cada vez maiores premiações, é difícil imaginarmos os atletas de alto nível complicando suas celebres e astrais carreiras por um movimento corrupto do tipo. Com o cerco da Valve também aos sites de apostas de itens, cada vez mais, o que se verá daqui para a frente é apostas em dinheiro real em sites de grande porte, conhecidos por outras modalidades esportivas, isso por sua vez, pode tornar-se um crime de ordem maior, com autoridades de alto calão envolvidas. A diminuição dos escândalos daqui para frente, tende a diminuir para o bem da categoria, público e patrocinadores.

Será que a Valve sabe como reagir? Pegos de surpresa em 2014, a empresa dificilmente ficará com pés atrás numa próxima vez que acontecer um escândalo tamanho. Não terá dúvida nas análises dos casos, e muito provavelmente aplicará a mesma medida severa que tiveram os jogadores na América do Norte, preconizando cada vez mais um cenário limpo e de entretenimento, que cada um de nós queremos e lutamos.

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