Aos ainda desavisados, possuímos sim uma associação de equipes de e-sports. Ela é denominada pela união das cinco primeiras letras do alfabeto, um nome bem sugestivo, mas que carrega uma importância extrema no âmbito eletrônico. A ABCDE, Associação Brasileira de Clubes De E-sports, surgiu este ano e trás consigo uma perspectiva de mudança drástica no cenário.

São cerca de dez equipes unidas por um bem comum, buscar a evolução dos games através da profissionalização de jogadores e manutenção das regras a serem seguidas por organizadores e eventos. Parece simples, mas é mais do que apenas administrar a opinião de todos os envolvidos, é colocar metas como premiação, materiais e toda a cobertura que um evento deve ter para que eles ingressem nela. Em outras palavras, são regras a serem seguidas por organizadores para contar com a presença das equipes da ABCDE.

Eis que na última semana foi lançado uma cartilha contendo todas essas as novas regras. Segundo os diretores, a cartilha foi dividida para equipes de League of Legends e demais jogos, entre campeonatos presenciais e online. Como o cenário do LOL é extremamente mais desenvolvido que qualquer outro jogo no Brasil, foram impostas algumas regalias e maiores taxas no que diz respeito a participação. Mas o assunto aqui é Counter-Strike, então a base de cálculo parte destes demais jogos ao qual a Carta de Política de Participação se refere.

As regras iniciam-se em pequenas e essenciais mudanças, como a requisição de uma equipe técnica qualificada, divulgação, máquinas que rodem o CS acima de 200 frames, monitores 144HZ e cadeiras confortáveis, além de toda a parte de logística, acomodação e alimentação do time. Logicamente, essas são normas a serem seguidas em torneios presenciais e é totalmente plausível a solicitação da associação.

Exemplo disso, foi a Intel Gaming Challenge deste último final de semana. As equipes e a ABCDE ficaram totalmente satisfeitas com tudo o que lhe foi apresentado no evento, as regras foram seguidas e apesar dos contratempos tudo ocorreu bem.

Ainda pegos de surpresa, a comunidade brasileira em tese apoiou as novas regras, mas a especificação mais impactante foi a cobrança de uma taxa de participação para torneios online no valor de vinte e quatro mil reais, dividido entre as equipes ligadas a associação que disputassem o torneio. Pois bem, existem pontos positivos e outros tantos negativos com esta regra em específico.

Os valores de fato ajudam a crescente do cenário, o apoio financeiro é sempre bem vindo, ainda mais em um sistema ainda instável e de rápidas mudanças. A troca de line-ups acontece com muita frequência, maior ainda é taxa de variação do desempenho de qualquer time de e-sports, pode-se estar no top e no fundo do poço em questão de poucos meses.

Em contra partida, as empresas organizadoras de campeonatos online não tem condições financeiras para arcar com valores tão altos, visto que o retorno ainda não é sólido. As streams não geram o necessário e por maior que seja a divulgação do torneio, os telespectadores não se engajam a ponto de gerar renda. O foco deveria ser em melhores premiações e especificamente no Counter-Strike, servidores com tickrate 128 e anti-cheat de qualidade, algo nem se quer discutido.

A verdade é que as equipes de CS do cenário brasileiro ainda tem muito o que evoluir no que diz respeito a exposição de marca. O potencial é grande mas o trabalho ainda precisa ser melhor desenvolvido, para então cobrar pela representação da equipe em determinado campeonato.

Por fim, cabe as organizadoras e a ABCDE colocar as cartas na mesa e entrar em comum acordo para cada evento, concordamos que algumas regras são fundamentais, mas outras ainda merecem ser discutidas, retrabalhadas e aprimoradas em qualquer nova situação que surgir.