A crescente exportação de ídolos frustra o panorama nacional de Counter-Strike, hoje são poucos os medalhões que ainda residem e jogam no Brasil e menor é ainda o potencial surgimento de novos mitos.

O cenário fortalece, mesmo em velocidade reduzida, é uma constante puxada por dois majors e outros tantos títulos internacionais, a imagem dos nossos grandes jogadores está estampada nos outdoors de qualquer evento mas a falta de grandes protagonistas nas ligas brasileiras é evidente e lamentável.

Equipes como Immortals, SK Gaming e Luminosity Gaming defendem toda a nação em campeonatos internacionais, buscando classificação para os melhores eventos, fazendo grandes campanhas e levantando troféus. Mas a ausência de um torneio qualificatório sulamericano de grande porte esmorece a confiança dos que aqui querem crescer.

Lendas do antigo CS 1.6 não conseguem mais desenvolver o seu melhor jogo. Apesar do apoio de grandes organizações, trilham uma estrada dificultosa, que é manter o alto nível que exibiam em seus tempos áureos, tropeçando nas próprias virtudes antes conquistadas e muitas vezes não se empenhando o suficiente para voltar a ser o que já foram.

Considerando os enormes obstáculos no caminho e sabendo a dificuldade de crescimento que um futuro ídolo por aqui passa, ainda existem jogadores dispostos a ter o seu reconhecimento. Mas para a maioria, faltam detalhes para fixá-lo como referência nacional. Carecem de uma base simples, composta por três pilares: habilidade, amor e carisma. O trabalho a ser desenvolvido vai além de seu desempenho dentro dos servidores, a disposição deve estar acima da média e seu brilho precisa ser refinado dia a dia.

O talento dentro do jogo, acertando tiros míticos e ganhando rounds impossíveis são a porta de entrada para a apresentação do trabalho de uma nova jóia no cenário. O treinamento deve ser constante e aplicado, voltado para a função desempenhada dentro da equipe e buscando uma curva de constante evolução de conhecimento agregado com experiências compartilhadas.

O passo seguinte é desempenhar amor ao que faz, honrando a camisa da equipe a qual representa e principalmente do jogo ao qual é atleta. A base de tudo é divertir-se com o game, adorar tudo o que ele proporciona e extrair tudo de agradável que ele tem. Além de participar de todos os campeonatos disponíveis ao qual tem acesso, o jogador pode transmitir as suas partidas ao vivo.

E são nas transmissões que está o realce de um futuro ídolo, o jogador deve ter carisma, ser envolvente, espontâneo e autêntico. O gamer deve abrir sua stream e interagir com os telespectadores, ensinando quando necessário e compartilhando uma partida quando possível. Isso aumenta o alcance gerado e fundamenta uma base de fans regulares o assistindo, abrindo a possibilidade de novas inscrições no canal, seguidores nas redes sociais e futuras doações.

Hoje, os mais bem-sucedidos streamers brasileiros não são profissionais, pois são os únicos que sabem alinhar as bases, moldando-se ao próprio público. É notória a falta de um dos pilares da pirâmide aos profissionais ativos em nosso cenário e os jogadores que possivelmente teriam competência para montá-la são exportados.

Comprova-se que a fama no Brasil não rende frutos suficientes, pois a tônica do Counter-Strike está na Europa e América do Norte. Ficamos a mercê da visibilidade trazida pelas nossas jóias e de um improvável qualificatório. O CS segue o seu rumo e o Brasil fica de fora.