O que mais se tem visto no cenário nacional e internacional atual é uma constante troca dos jogadores de grandes organizações. O último mês foi realmente conturbado para equipes como NiP, fnatic, GODSENT, Envyus e outras tantas brasileiras. Mas até que ponto a frequente substituição da "quinta peça" traz boas mudanças na equipe, tanto a curto como a longo prazo.

Como todos sabem, o Counter-Strike é um jogo totalmente dependente de equipe. É claro que um excelente jogador tende a se destacar dos demais, mas nada ele poderá fazer se seus companheiros não estiverem em um dia tão inspirado quanto. E quando algum jogador não está bem, se sente desconfortável e acaba errando com mais facilidade, sendo crucificado pela comunidade e conturbando o ambiente interno.

Grandes equipes sabem distinguir uma sucessão de erros para uma pequena falha que pode ser retrabalhada. Um jogador não deve ser avaliado por seus defeitos, mas por suas boas decisões, pois a passividade in-game prejudica mais que a esperteza e tentativa de um bom posicionamento.

Outro ponto de destaque é a necessidade da afinidade entre os jogadores. As coisas caminham bem quando todos tem uma boa relação e se as jogadas não acontecem por algum erro individual, é importante entender as dificuldades de cada um. Adaptação, treino e mudanças internas são menos impactantes a longo prazo que uma troca impensada.

Analisado e conversado todos os pontos e sem mais esperanças de melhora, uma equipe realmente decidi substituir um player, mais que isso, a escolha do novo jogador que completará o elenco precisa ser fatal.

Por mais que a equipe opte por um jogador com as mesmas características, o player trará novas maneiras de jogar, terá um feeling e tomará decisões diferentes do antigo. Isso fará com que a nova line-up precise de tempo e se não entenderem que os resultados adversos são necessários para o crescimento, provavelmente culparão o novato e consequentemente farão com que a decisão de substituição do jogador vire uma bola neve.

A equipe que mais tem sofrido no quesito troca do quinto jogador é a Envyus. O ano de 2016 foram de fortes mudanças e consequentemente o desempenho caiu. Muito se dá por essa falta de ambientação do novo jogador e ele acaba virando o algoz. A NiP também tem tido infelicidades com as trocas de Fifflaren, Mikelele e Allu, todos eram tidos como se fossem o problema quando completavam a line-up. E se Pyth não continuar a se destacar em seu retorno, sofrerá as consequências, um martírio para uma equipe forte e que necessita de muito mais que uma simples alteração.

Por outro lado, a Virtus Pro mostra que é possível se reerguer sem mudanças. A forte amizade dos jogadores tem mantido a cabeça no lugar e a superação das adversidades, além da vontade de ser o melhor ainda representa o ponto chave da questão. A equipe apresentou altos e baixos durante seus quase três anos e hoje vem colhendo bons frutos dessa escolha. É visto com frequência em finais e chegou a beliscar o topo do ranking durante um mês, fato que não acontece com equipes "troca-troca".

Cabe então aos managers, coachs e aos próprios jogadores, entender que a troca de uma peça não é a solução dos problemas e se ela realmente é necessária, não se iludir a curto prazo, fazendo com que os maus resultados sejam melhores aproveitados para evolução da equipe como um todo.