Com qualificatórios no mundo todo, 24 equipes com 19 nacionalidades diferentes se reunirão no campeonato da WESG, que distribuirá 1 milhão e meio de dólares e com premiação recorde para o primeiro colocado, 800 mil dólares.

Alexandre 'kakavel' Peres, fundador da organização, conversou com a equipe da Games Academy sobre sua história, preparações do time para o torneio e o panorama atual do cenário brasileiro de CS:GO.


Primeiramente gostaria de agradecer o tempo cedido para essa entrevista Alexandre “kakavel” Peres. Antes de falarmos do campeonato da WESG, gostaria de te apresentar para o público, fale brevemente sobre seu envolvimento no CS e como começou tudo lá atrás.

Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre nossa Organização, nosso time de CS, e os demais temas que vamos abordar. Sobre o meu envolvimento com o CS, como a maioria dos jovens do final dos anos 90 e começo dos anos 2000, eu vivi a fase da moda de LAN HOUSES. Já tirei muito o sono da minha mãe me dedicando ao CS naquela época, e passei boa parte do meu tempo “vivendo o game”. E desde aquela época, investir nesse mundo já era uma ideia, porém para aquela época era um sonho mais distante.


Como surgiu essa ideia da criação do Team One? Como foi a transição de admirador, jogador e amigo para investidor e dono de time?

A verdade é que as coisas simplesmente aconteceram, e ainda tem acontecido. Tudo começou com a explosão do CS:GO no mundo, e o retorno de alguns amigos do game de 15 anos atrás ao jogo. Fui convocado pela turma das antigas a voltar a jogar, e como todo apaixonado não resisti. Comprei equipamentos, voltei a jogar, e com pouco tempo já estava novamente disputando alguns campeonatos. Porém com pouco tempo eu vi que não teria disponibilidade de tempo suficiente para me dedicar e voltar a ser um player, pois trabalhos, investimentos e casamento eram empecilhos grandes para conseguir evoluir no jogo. Com essa percepção, resolvi ajudar os amigos que estavam se dedicando, da melhor forma possível. Naquele momento, pensei em ser um Coach e juntar a galera, que estava evoluindo muito, com alguns nomes que conhecia do passado e que seriam a chave da mesclagem de experiencia com a nova geração, e nisso remontamos o Team One com nomes antigos como Maluk3, bt0 e Netwolf, com duas novas promessas: Trk e bld. A ideia inicial era fazer um investimento pequeno para chegar no topo do cenário nacional e com isso arrumar uma Organização que nos apoiasse. Com a vitória da equipe na G3XCUP, e perante o total descaso das organizações com o CS e com o cenário fora do grande centro (SP e RJ), pensei bastante e resolvi criar minha nova empresa, e desde então tenho feito investimentos que levaram o Team One a deixar de ser uma equipe de CS para se tornar uma Organização de e-Sports.

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Muitos tem elogiado a forma com que você trata os jogadores e as mídias sociais do Team One, qual foi seu preparo antes de criar a organização? O que ainda falta para os jogadores do Team One em questão de redes sociais? Como você vê a importância disso?

Bom primeiramente sobre a relação com os players, apesar de o projeto inicial de ser um coach dedicado tenha falhado pela falta de tempo, trabalho com eles com bastante transparência e cumplicidade. Acredito que isso tem passado confiança a eles do nosso projeto e nossas metas. Sempre fui líder nas equipes que joguei e empresas que trabalhei, bem como tenho buscado estudos e evoluções na parte de gestão de pessoas e grupos, pois dependo disso não só no Team One eSports, como também em outros negócios que possuo, o que acredito ser essencial.

Sobre redes sociais, desde que montei a equipe tenho tentado ajudar os players a trabalharem as redes sociais, mas como havia apenas eu durante grande parte do projeto, a ajuda era limitada. Atualmente quase todos já entendem a importância de trabalhar a sua própria imagem, e como forma de incentivo estamos buscando algumas alternativas, como adicional de remuneração para Streams, publico de streams e em breve em venda de produtos do Team One eSports personalizados, onde estudamos uma forma de passar um percentual de cada venda aos players. A idéia desses adicionais é exatamente acreditar que o crescimento da marca “Team One eSports” hoje, é a maior forma de evoluirmos tanto a Organização, quanto retorno de investimentos para os atletas.


Falando sobre o campeonato da WESG, como foi jogar o qualify? Muita diferença na organização do torneio para os padrões brasileiros?

O qualify aconteceu em São Paulo na MAX5, uma das melhores estruturas de LAN do mundo, organizado pela Starladder, a qual dispensa comentários. Então foi uma oportunidade única de jogar com a estrutura que os maiores times do mundo jogam, e foi possível ver o quanto precisamos evoluir internamente. Fomos para o campeonato com todas as despesas pagas, avião, hotel, deslocamentos, equipe da organização a disposição a todo momento, comida e bebida com abundância no evento, muito organizado. Coisa de “Primeiro Mundo”. Com certeza a experiencia da organização e da estrutura que montaram para o qualify ainda é bem acima dos torneios que participamos até o momento, para se ter uma idéia cada jogador teve o seu próprio PC para todos os jogos, com suas configurações salvas e bastante agilidade no processo dos preparativos para cada jogo. A organização trouxe peças para UP nas máquinas da MAX5 e foi possível jogar CS na melhor estrutura possível.

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Vimos a equipe se reunindo em Brasília nestas últimas semanas para treinar para as finais da WESG. Como esse "bootcamp" está funcionando? Como a equipe vem se preparando desde a classificação em outubro na MAX5?

Nesse final de ano, após a classificação, eu praticamente não tive tempo para estar com a equipe, e tivemos a mudança na lineup: saída do “bld”, e entrada do “idk”. Vi então a necessidade de unir a equipe para trocar uma idéia “olho no olho”, até para trabalhar o emocional e a união da equipe. A idéia inicial era tentar ir para a Europa. Como todos os voos para China tem escala, tentei com a organização do campeonato mudar nossa escala para uma semana antes, onde iríamos para Europa realizar lá este “Bootcamp”. Infelizmente, por questões de resposabilidade da organização com a viagem, eles não acharam prudente a mudança e a alternativa que achamos foi a parceria com a “ARENA GLACON” em Brasília, tanto por questões financeiras quanto pela proximidade com eles, que assim como nós buscam a evolução do cenário no Centro Oeste. (Fiz alguns vídeos sobre a estrutura aqui no nosso Facebook).

Chegamos aqui no dia 02/01 e ja tivemos treino durante toda a tarde e noite com a equipe da “INNOVA”, e desde então temos trabalhado parte tática, técnica e emocional com todos juntos nas atividades diária e nos treinamentos.

Depois da classificação em Outubro, tivemos alguns impecilhos e a preparação não foi a mais adequada, e me incluo como um dos problemas pois não pude estar próximo a equipe. Porém a preparação no final do ano e agora aqui na “GLACON” está acontecendo de forma produtiva, dividimos bem nossos horários em treinos individuais, treinos táticos, análises dos adversários e treinamentos com outras equipes do Brasil que não estão de férias, entre elas a “INNOVA” que tem toda a sua base aqui em Brasília e que veio treinar com a gente aqui na LAN nos dias 02 e 04.

BootCamp


Times que jogaram no Brasil (g3x e Innova) foram a China recentemente e o resultado não foi o esperado. Como o time ve isso? Qual é a motivação?

É muito difícil sair do Brasil hoje com a estrutura que temos aqui, praticamente amadora, e disputar campeonatos em nível mundial. E isso fica nítido quando você vê equipes como a antiga g3x (foto) e a própria innova, que vem fazendo bonito aqui dentro, chegar lá e não conseguir bons resultados. Porém querendo ou não isso é um grande incentivo para nós, pois nossa equipe é reconhecida por crescer em momentos de dificuldade e decisivos, principalmente em LAN. Ir para um campeonato desse nível e conseguir alguns bons jogos, pode ser a oportunidade da vida de cada um desses players, bem como da Organização, e esse é o clima que estamos vivendo: um grande desafio para todos nós.

g3x


Vocês caíram no grupo da morte, com equipes do escalão de Virtus.Pro e EnVyUs. Com 3 equipes se classificando por grupo, você acredita que a Team One tenha uma chance em atingir os playoffs na China?

Temos consciência de que somos a “zebra” do Grupo, pois quando se fala de Virtus.Pro e EnVyUs, não podemos nos esquecer do restante do grupo, onde temos também a Seleção do Canadá, a Seleção da Rússia e o Epsilon, todos com players renomados e com bons resultados em grandes campeonatos, enquanto nós ainda não tivemos a oportunidade de jogar neste nível. Apesar disto acreditamos no nosso potencial, e vamos à China, independente de passar de grupo ou não, em busca do crescimento da equipe e da experiência em grandes jogos, pois isto é vital para a evolução do time. Podem esperar bastante dedicação para buscar a Classificação no Grupo.


Existe uma motivação maior por cair no grupo da morte? De conquistar um azarão contra alguma equipe de elite?

Opinião pessoal minha: não poderíamos ter tido uma oportunidade maior (exceto pela saída do ex-Dignitas da Competição, que também estaria no nosso grupo), pois teremos os olhos do “Cenário Mundial de CSGO” voltado para os nossos jogos, onde enfrentaremos algumas das grandes equipes mundiais. Independentemente de ser azarão, para os players é uma oportunidade de crescimento muito grande, jogar com equipes do nível de Virtus.Pro e EnVyUs. Já para organização é uma oportunidade midiática ímpar, em que iremos tentar trabalhá-la com clareza e de forma profissional, buscando atrair os olhares de empresas e investidores para o que estamos fazendo e para nossos projetos futuros.


Com a contratação do pava em Setembro e a entrada do iDk em Novembro, a line-up conseguiu se estabilizar perante as mudanças? O que mudou com tudo isso e a saida do bld?

Todos acham que a mudança de atletas não faz muita diferença, porém é sempre uma mudança drástica, pois além das caracteristas “ingame”, muda-se a cabeça pensante e os relacionamentos internos, então com certeza não estamos na melhor fase da nossa equipe, pois a formação é nova e tem apenas um mês de treinamento. Porém já encontramos uma nova forma de jogar, e essa semana de treinamentos foi de uma grande evolução, e espero que consigamos alcançar um alto nível em breve.

T1novo


Vimos recentemente a saída de diversas organizações de grande porte do cenário de CS:GO brasileiro (CNB, g3x, RED Canids, Remo Brave). Por quais motivos você acredita que isso aconteceu? Como você visualiza os próximos meses do competitivo nacional?

Acho que tem muito alarde para pouca coisa, apesar de achar que ainda não temos um cenário profissional, algumas dessas equipes nem chegaram a entrar no cenário, como RED Canids e Remo Brave, que se aventuraram a ter jogadores representando suas tags, mas que fizeram pouco ou nenhum investimento, e acredito que tentaram a sorte ajudando alguns atletas que buscavam apoio, porém não conseguiram dar o suporte para a sequência, e as equipes acabaram se desmontando. A CNB, por tudo que escutei, não saiu do cenário e em breve deve aparecer com novos players representando suas cores, foi apenas o fim de um ciclo entre equipe e Organização. A questão da g3x já é um pouco diferente, pois o projeto era muito ambicioso, com salários acima do padrão nacional e com um projeto de intercionalizar, o que não aconteceu, e então, acredito eu, que gerou um desgaste e que apesar de dominar o cenário nacional por um tempo, a relação de players com a Organização se deteriorou, o que é normal no brasil por vários motivos, e isso causa um certo desânimo para os investidores e donos de Organização. Apesar dessas mudanças acredito muito no Cenário Competitivo Nacional para os próximos meses, a GC tem alguns bons projetos para 2017, assim como a XLG, além das grandes plataformas que sinalizam no aumento de investimento no Brasil, e acho que estamos apanhando para nós mesmos, ao não saber trabalhar nossos produtos, com uma evolução nossa (digo todos os envolvidos, players, Organizações, produtores de torneios) acho que muita coisa pode mudar.


Em agosto tivemos o lançamento da ABCDE, igualmente criticada e elogiada pelo público. Qual é sua opinião sobre a associação? Acredita que ajuda ou atrapalha o crescimento do eSport no país?

Desde que entrei nesse mercado, acredito que a união de Organizações seja um passo para evolução. Muitos criticam a ABCDE, mas não sabem o trabalho que eles tem feito por debaixo dos panos para a evolução do cenário de eSports no Brasil, de uma maneira geral, porém acredito que falta alguns ajustes e acho que esse inicio de 2017 vai ser essencial para fazermos as coisas acontecerem.

ABCDE


A Team One tem interesse em participar formalmente?

Estamos aguardando alguns detalhes internos nossos, para então retomar as conversas com eles. Acredito sim que seja necessário essa união, mas como disse, vários detalhes precisam ser alinhados, entre todos eles, e acho indispensável a criação de uma diretoria separada para tratar apenas do CS:GO, para que o foco e a determinação seja 100%.


Com a ABCDE exigindo uma melhor organização e profissionalização de organizações e organizadores de torneio, como a Team One se encaixa neste meio? Os jogadores são contratados em regime CLT? Existe um salário e estrutura de patrocinadores?

Acredito que hoje estamos prontos para atender todas as exigências da ABCDE quanto a organização. Os jogadores hoje tem contrato assinado com a organização de cyber-atleta autonomo, pois é inviável no Brasil hoje se trabalhar com a CLT em vários ramos e no nosso mercado, com baixo retorno, isso é impossível. A forma de parceria que fechamos com os players é muito bacana e com certeza melhor para nós e para eles. Infelizmente ainda não temos nenhum apoio de patrocinio direto, temos algumas parcerias que fizemos para projetos futuros, como criação do nosso website e também revenda de nossos produtos, mas estamos na próxima etapa, que é a busca pelas parcerias, para viabilizar a manutenção e a expansão do nosso negócio.


Quais são as pretensões futuras da Team One? Ir para fora é algo que está nos planos da equipe?

As pretensões é evoluir como equipe no CS:GO e tentar com parcerias ampliar para outros jogos. Falando exclusivamente da equipe de CS:GO, no momento é inviavel financeiramente falar em ir pra fora, então nossa idéia é lutar para conseguirmos ter aqui dentro do Brasil, equipes jogando em alto nível e disputando grandes torneios. Sou um dos defensores que é capaz fazer um Cenário forte aqui, para segurarmos os grandes jogadores BR, bem como ter dos maiores torneios do mundo, basta trabalhar com consciência e paciência.


Gostaria de agradecer o tempo da entrevista e deixamos esse espaço para uma última mensagem.

Novamente gostaria de agradecer o espaço para expor um pouco mais sobre nossa empresa e nossa equipe, bem como expor um pouco o meu ponto de vista sobre as possibilidades do Cenário. Gostaria de agradecer aos nossos parceiros “Escritório nas Nuvens” e “Gamerbrand”, que compraram a ideia do nosso projeto, bem como a “GLACON INFORMATICA”, que tem nos apoiado nesse momento impar, e falar que estamos trabalhando para conseguir criar algo inovador de relacionamento com os fans visando uma fidelização, e nos dedicando ao máximo para evoluir, dentro das nossas atuais condições.

Esperamos contar com o apoio em massa da torcida brasileira nesse Mundial na China, afinal estamos falando da maior competição de todos os tempos do CS:GO, com investimento e premiação recordes, e esperamos também a compreensão no decorrer de qualquer resultado, pois ninguém nasce grande e nós do Team One, cientes disso, vamos dar todo apoio necessário para a equipe se desenvolver, e convido a nossa torcida para fazer o mesmo, nos apoiando incondicionalmente!

Um grande abraço a todos, e nos vemos no Mundial.


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Gostaríamos de agradecer também os colaboradores da Games Academy pela pauta da entrevista: Otávio Boccuzzi, Rafael Veiga, Ricardo Fugi e Yure Araújo.