Foi cômico, para não dizer trágico. A surpresa de magnitude estrondosa em 2016 ficou reservada para o mês de dezembro, em algo que nem mesmo o analista que dedica sua vida em tempo integral ao Counter Strike poderia prever.

Nem mesmo eu, que humildade à parte, cravei Gambit como Legend do último major, HellRaisers se classificando nesse último, entre outros imprevistos do cenário, pude prever, tamanho espavento.

A equipe russa da Vega Squadron chegou ao classificatório principal para o major da ELEAGUE por uma, super duvidosa, vaga oriunda do minor da região do CIS, países que faziam parte da antiga União Soviética. Sim, nesse bolo enorme de países desconhecidos de grande parte do público sul-americano, os únicos grandes destaques para o cenário são: Rússia, Ucrânia e o surpreendente Cazaquistão, esse último contanto com três jogadores na Gambit, equipe Legend para o próximo major.

É discutível duas vagas para tal região, já que na maioria das vezes não são equipes de nível muito alto, exemplo é a compatriota Team Spirit que somados todos os rounds que fez em três partidas, não completou 16, durante o torneio.

No classificatório, a Vega Squadron venceu a Counter Logic Gaming, que, sim, já não é mais aquela equipe que perturbava os grandes, mas ainda conta com um ótimo suporte de organização e jogadores conhecidos do público, além de qualidades individuais evidentes.
alt A segunda vitória, e que marca a história do jogo, foi contra a Ninjas in Pyjamas. Qualquer equipe que perdesse estaria de fora da competição. As apostas, os analistas, a comunidade, todos estavam apontando uma partida fácil para os lendários suecos, mas a Vega surpreendeu. Não foi uma simples vitória, foi estrondoso, foi mágico, foi inacreditável. Aniquilados por um placar de 02 x 16, sem que ninguém pudesse prever. Os Ninjas estão de fora, pela primeira vez, de um major de CS:GO.

Mero acaso da surpresa?

Surpresas tendem a acontecer em grandes torneios, é corriqueiro, mas em classificatórios de major não é bem assim, e não contra uma equipe que sempre é colocada como uma favorita a títulos, qual motivo de ter ficado de fora de um major, como ninguém conseguiu prever a Vega tão bem no evento?

Talvez o esquadrão russo não seja um acaso da surpresa, mas uma equipe que estava escondido por falta de chances.

Verdade é que já passou da hora da Valve reformular as vagas para o qualify principal do major. É evidente que existem mais Vegas por aí. Isso não é um mero acaso da surpresa. Duas vagas para o CIS por qual motivo? Se queremos que o cenário internacional cresça em todas as partes, por que não podemos dar vaga para todos os continentes? Por qual motivo apenas a África¹ não tem, e nunca teve, chance alguma de chegar até o major nesse novo sistema?

É evidente que, muito provavelmente, países que tem um menor apreço pelo Counter Strike, e um menor histórico geral no game, não chegariam como grandes favoritos, mas sim como zebras em torneios tamanhos. O azarão. Porém, a Vega também era. alt Longe de entrar na famigerada defesa de minorias. O ponto aqui não é apresentar um evento de baixo nível, por conta da internacionalização, mas é questão de ter pelo menos possibilidade. Se existir mérito, então que chegue.

O sistema que dá certo

Sabe a Copa do Mundo de futebol? Um evento internacional, e global como esse, tem em seu fito dar chances para todas as partes do mundo, de chegar até ele. Continentes sem muita tradição, como a Oceania tem seu lugar reservado. É verdade que o grande vencedor das eliminatórias da Oceania para a Copa do mundo, só recebe uma vaga na repescagem e acaba ainda pegando o 5º colocado da América do Sul, é quase impossível uma Nova Zelândia, Taiti ou qualquer outra vencer a repescagem, mas a chance de chegar até lá, tem.

Talvez seja o que falta, dar a possibilidade de que novas equipes surpreendam, e mostrem para o cenário que não existe jogo competitivo apenas dentro dos grandes centros e que há jogadores de qualidade em outras partes do mundo, só esperando um empurrãozinho.

Foi assim com Brasil e pode ser assim com qualquer outro país. A surpresa só existe se não a conhecermos e nunca termos dado a mínima.

¹ A equipe sul-africana da Bravado participou da DreamHack 2014 (major), sendo convidada, e não chegando por um classificatório.

Não esqueça de dar sua opinião abaixo!

Não esqueça de seguir meu trabalho principal clicando aqui.