Pivô de grandes jogos, um mundo à parte, investimentos astronômicos e uma penca de equipes de grande porte. O cenário asiático de qualquer jogo é sem dúvida nenhuma, importante para a visão mundial do esporte eletrônico, seja com público, patrocinadores, qualidade ou investimentos. Porém, você já se perguntou o motivo de a Ásia ter um cenário tão estagnado e infortuno no Counter Strike?

Coréia do Sul

Impossível falar de Counter Strike asiático e não citar os sul-coreanos, na verdade é impossível falar de eSport sem citá-los. O país é de longe o que mais investe na categoria, e não estamos falando apenas de campeonatos e jogadores. A Coréia foi uma das primeiras a institucionalizar um psicólogo do eSport, e demais staffs que hoje são tradicionais dentro do cenário. Além de ainda em 2003 já desenvolver transmissões em rede nacional de alguns jogos, coisa que só agora temos no Brasil.
alt No Counter Strike 1.6 a Coréia do Sul liderava o cenário local, não havia chineses, japoneses, tailandeses ou qualquer outro para bater de frente com boas equipes da época. Bum-Ki “peri” Jung e Keun-Chul “solo” Kang chegaram a ser considerados entre os 20 melhores jogadores do mundo em alguns anos, e levavam alguns títulos de importância para o país. Onde estão?

As lendas coreanas voltaram, se juntaram e formaram um bom time. De nome. Porém, estão muito abaixo das demais equipes do continente, pelo menos por enquanto.

Vamos então começar a conversar sobre cultura, e voltaremos a falar sobre isso mais vezes no decorrer do texto. Qualquer entusiasta de esporte eletrônico sabe que os sul-coreanos tem uma paixão, paixão essa que chega a ser um esporte dentro do país o StarCraft.
alt Por motivos óbvios, quando um jogo se desgarra de outro e atrai visão de toda a comunidade, é muito complicado de outro crescer. O bum do StarCraft na Coréia coincidiu com o surgimento das técnicas de infraestrutura na Ásia, no fim dos anos 90. Por conta disso, também se cresceu o Counter Strike na época, mas a transição do 1.6 para o CS:GO, fez com que muitos jogadores, espectadores e até mesmo organizações visassem o mais lucrativo.

No país, há até uma entidade reguladora, nada parecido com a WESA ou qualquer outra que visa um totalitarismo dentro do eSport, mas tal entidade, criada por políticos, visa a melhoria dentro do cenário coreano, faz com que uma quantia de investimentos do governo chegue “limpa” até a categoria, fazendo crescer organizações, infraestrutura de servidores e arenas para campeonatos por exemplo.
alt Também existe o ponto do serviço militar obrigatório, e a maioria das estrelas do país teve a idade para isso justo na época do fim do 1.6, deixando assim o cenário. Seus fãs, por sua vez, sedentos por um ídolo, buscaram outras categorias.

Por conta disso tudo, o CS:GO ainda não é difundido dentro do cenário, mas as expectativas são grandiosas por ali.

Cultura político-social

Qual seria a lógica para um cenário onde poucos jogadores se sobressaem? Bem, seguindo o exemplo de outros países menores da Europa, o certo seria juntar-se alguns jogadores de cada país e formar um bom time, visando competições de importância a nível internacional. Por qual motivo isso não acontece na Ásia?

Língua? Não. Isso não chega a ser um motivo, primeiro de tudo que culturalmente, no mundo como um todo, o inglês já chegou a um nível de ser básico para todos, mas por um lado a cultura linguística pode ser um problema sim.

Nessa semana a TyLoo contratou Hansel "BnTeT" Ferdinand, um indonésio. Um jogador de um país diferente dentro de uma equipe chinesa por natureza. Isso acontece muito em outros jogos, como no League of Legends e no Dota 2. Já no Counter Strike demorou-se a se misturar.
alt Antes de condenarmos os jogadores, devemos olhar para a história, em especial entre Indonésia e China.

Na década de 60, Hadji Mohamed Suharto assumiu a presidência da Indonésia, não entrarei na estúpida discussão se foi ou não um golpe militar, mas em suma, Suharto queria dar uma identidade singular ao povo indonésio, e com isso em mente ele proibiu a comercialização, e culturalização do mandarim dentro do país. O governo do militar durou até o fim dos anos 90. Nesses anos todos a indonésia manteve quase que três línguas, mas nenhuma era derivada do mandarim. O sucessor de Suharto no governo trouxe de volta a língua, e as crianças começaram a aprender nas escolas, mas a cultura de distanciamento entre as duas nações trouxe dificuldades comerciais e interpessoais entre os dois povos.
alt A contratação de BnTeT não é apenas um adendo a equipe, mas como uma técnica de junção dos dois cenários, muito se fala do nível do mandarim do jogador, já que é de uma região da indonésia, onde o mandarim não é tão comum.

Mas esse é um caso muito marginal, no geral não existem equipes mistas no cenário asiático, o que com total certeza é um dos motivos dessa estagnação.

Rixas

Como em toda relação humana, no Counter Strike não é diferente, existem rixas dentro dos cenários e entre os cenários. Principalmente na China, ouve-se falar muito de que tal jogador não atua mais junto de outro, por conta de uma rixa de organização ainda no Counter Strike 1.6, e por conta disso as equipes não se misturam, ou então que tal organização não contrata outro jogador por conta de rompimento de contrato de trocentos anos atrás.
alt Tudo isso gira e traz uma escassez para dentro do cenário, fazendo com que simplesmente, vários bons jogadores desistam, por conta das rupturas de relacionamento entre os atletas.

Recentemente até mesmo a TyLoo, organização mais consagrada do continente se envolveu em escândalo com os jogadores, uns ficaram do lado da organização, e outros demonizam a mesma, dizendo que foi tudo fruto de um péssimo acordo contratual.

Geografia

Com total certeza o ponto mais importante disso tudo é a geografia da Ásia. Um emaranhado de ilhas, de distâncias enormes fazem com que equipes possam atuar em apenas um certo raio de distância. A equipe do The MongolZ por exemplo, chegou a possuir gaming house no Vietnã, por conta da distância entre a Mongólia e a Austrália, por exemplo.

Isso é um problema que ninguém pode resolver a curto prazo, existem opções, como a de se mudar, mas requereria maiores investimentos, mas como fazer isso num cenário sem muitas oportunidades de se chegar a um grande torneio?

Problema com vistos e falta de vagas

Talvez o caso mais dolorido da história dos majors foi o do próprio The Mongolz, após bater a Renegades na grande final da IEM Taipei, torneio que servia de minor para o major da MLG Columbus, a equipe não conseguiu os vistos para entrar em território norte-americano. Não há como afirmarmos que eles conseguiriam, efetivamente, uma vaga no major, mas a equipe da Splyce, que substituiu os mongóis no grupo D daquele main qualifier, passou fácil.

Isso fere com qualquer jogador e organização, após isso a equipe sofreu um pequeno disband, com a estrela Enkhtaivan “Machinegun” Lkhagva indo jogador no cenário norte-americano. A falta de opções e maneiras de se chegar a um major também é um ponto complicado, que a Valve tem de olhar para dentro desse cenário, misturar Oceania com Ásia dando apenas uma ou duas vagas para o classificatório principal, fica complicado de boas equipes conseguirem chegar, ainda mais que, mesmo a Renegades atuando no cenário norte-americano, participa de tal classificatório, o que é bastante discutível.

Para exemplificar ainda mais a falta de resultados, a Ásia (sudeste e oriental) até hoje não teve um representante em major, se prendendo apenas ao Wolves da Índia na ESL One Cologne 2014, que convenhamos é pouco para um continente tamanho, se comparar com a África, que também já teve a sul-africana Bravado num dos torneios da Valve.

Todas essas circunstâncias, fazem com que o cenário do continente como um todo, se faça fraco e não gere resultados. Aos poucos a grande maioria se move para um outro nível e a Ásia parece estar se movendo muito abaixo dos outros.

Não esqueça de seguir meu trabalho principal clicando aqui.