Muito antes do Counter Strike: Global Offensive ser badalado no Brasil, uma dúvida já tirava o sono dos ‘profissionais’ do país, abandonar tudo para viver do jogo, ou manter um trabalho secular aliado ao pseudo profissionalismo do cenário?

Com a crescente mundial do ramo como um todo, muitos tem abdicado de tudo para viver desse sonho, e aqui não nos prendemos apenas aos jogadores, mas também produtores de conteúdo, comentaristas, analistas e narradores.

Infelizmente, não é nada fácil viver de transmissões online ou qualquer outra forma, quase que fictícia de monetização, e note que não estamos nos referindo a “dinheiro extra”, mas sim como forma principal de renda de uma pessoa.

Ainda nem entramos nos assuntos político-econômicos do país, o que implicaria em ainda mais problemas nesse que é o maior questionamento que podemos trazer à tona. Num país onde uma placa de vídeo, minimamente, dentro dos padrões de um jogador profissional, é equivalente ao salário mínimo vigente, é complicado de vermos um cenário deslanchar, com atletas focados apenas em seus treinos e torneios. A grande maioria das organizações em atividade no Brasil, não tem o aporte de investimentos necessários para dar suporte financeiro adequado a cinco jogadores e [possivelmente] um coach.

É verdade que algumas das grandes organizações do país, optam pelo rentável, deixando grande porcentagem de seus ganhos como investimentos em cenários mais produtivos e amplos de público, mas algo tem de ser feito para com aquelas que se empenham em investir o que tem, num cenário que não apresenta estabilidade necessária para se manter uma empresa.

Levando em conta a ideia do analista e comentarista Guilherme "GuizaO" Kemen, de o público “adotar” uma equipe local para torcer durante os torneios, vale uma dica também para as organizações: inovem um sistema milenar.

Desde a Grécia antiga existe uma forma de “financiamento” um pouco diferente, o mecenato. Ele servia para estimular a produção artística na época e até hoje é usado, principalmente no meio da internet, para produção de conteúdo. Obviamente, as inovações nos ajudaram e não precisamos retribuir da forma que acontecia lá nos tempos do Império Romano, mas como poderia funcionar isso dentro do nosso cenário?

Uma ideia simples e direta, as organizações poderiam abrir para que os torcedores contribuíssem de alguma forma, em troca poderiam participar de alguns projetos da equipe. Imagine você organização, podendo manter seus jogadores em tempo integral, por uma arrecadação que não vem diretamente [ou não somente] de você. Imagine você torcedor, ao apoiar sua equipe com poucos reais, poder participar de uma partida com jogadores profissionais, ouvir dicas ou mesmo apenas conversar com eles. É legal para todos, não?

Nem mesmo é preciso um grande projeto de infraestrutura com site para arrecadação e tudo mais. Empresas como o apoia.se ou qualquer outra, abrem as portas para esse tipo de crowdfunding, o que serviria como um sócio torcedor para clubes de esporte eletrônico. É fácil e direto a comunicação entre a torcida e a organização, você pode estipular recompensas e metas, o que facilita ainda mais o torcedor optar por ser um “sócio”, ou não de seu projeto.

Algumas organizações chegam a repassar uma quantia para servir de salário, mesmo que não tenha cifras de um. Isso aliado a um projeto bem feito de sócio torcedor, poderia trazer um quinteto a se dedicar de tempo integral ao jogo, rumando para um profissionalismo de verdade.

A Team One é um exemplo de dedicação em tempo integral, o que fez a equipe ser, indiscutivelmente, a melhor em atividade no Brasil. Que tal então tentarmos profissionalizar ainda mais o nosso cenário, você organização abrindo um programa de sócios, e você torcedor apoiando?

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